Lua Pálida

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BALEETED

Este artigo se refere a algo que não existe mais (como um site deletado) ou contém informações desatualizadas, refletindo o estado de algo no passado.

Pale Luna (Lua Pálida em português) foi um jogo de terror em texto que carregava um mistério sombrio, criado na década de 80 e que só foi divulgado para moradores da região de San Francisco, no Estados Unidos.

História

Pale Luna
Ao iniciar o game, o jogador começava a “aventura” em uma tela contendo apenas o seguinte texto:

“- Você está em um quarto escuro. O luar brilha através da janela.

– Há OURO no canto, junto com uma PÁ e uma CORDA.

– Há uma PORTA para o LESTE.

– Comando?”

Os únicos comandos aceitos pelo game eram: PEGAR OURO, PEGAR PÁ, PEGAR CORDA, ABRIR PORTA e IR PARA LESTE. Nenhum outro comando funcionava. Após executar as ações disponíveis, o game prosseguia, mostrando a próxima mensagem:

“– Colha sua recompensa.

– LUA PÁLIDA SORRI PARA VOCÊ.

– Você está em um floresta. Existem caminhos para o NORTE, OESTE, e LESTE.

– Comando?”

A partir desse ponto, a crítica do reviewer (“enigmático, sem sentido, e completamente injogável”) se fazia valer. Dali em diante, somente uma ação era considerada correta pelo game: escolher a direção correta para ir. Qualquer outra opção resultava no travamento total do computador, e apenas uma reinicialização forçada o fazia voltar a funcionar. Resumindo: era acertar o caminho ou travar o PC.

Para piorar, da segunda etapa em diante o game se resumia a uma sucessão de telas iguais. A única coisa que mudava era a direção que o jogador deveria tomar. Fora este comando de movimento, todas as outras opções recebiam respostas negativas:

“USAR OURO  – aqui não”, “USAR PÁ – agora não”, “USAR CORDA – Você já usou isso”. A maioria das pessoas que jogou Pale Luna desistiu de seguir em frente, cansadas de reiniciar o PC inúmeras vezes e ter que retirar e inserir novamente o disquete para continuar jogando.

Sem falar no aborrecimento com a sucessão interminável de telas idênticas. Mas nem todos os jogadores desistiram: Uma pessoa, que literalmente tinha bastante tempo livre (ou nada mais importante para fazer), resolveu ir até o fim do estranho adventure e descobrir se havia algo mais além da repetição de telas e travamentos.

Um jovem chamado Michael Nevins conseguiu sair do loop sinistro de Pale Luna.

Depois de cinco horas seguidas de tentativa e erro para percorrer trinta e três telas, tendo que reiniciar seu computador incontáveis vezes, Michael saiu da repetição e finalmente chegou em uma nova sequência de textos – que “para variar” pareciam não fazer sentido algum.

“- LUA PÁLIDA SORRI LARGAMENTE

– Não há caminhos

– LUA PÁLIDA SORRI LARGAMENTE

– O chão está macio

– LUA PÁLIDA SORRI LARGAMENTE

– Aqui

– Comando?”

Depois de mais uma hora de tentativas e travamentos, Michael encontrou a combinação correta de comandos para prosseguir no game: CAVAR BURACO, JOGAR OURO e por fim TAPAR BURACO. Após esses comandos, o game mostrava sua última mensagem:

“- Parabéns

—— 40.24248 ——

—— -121.4434 ——”

Após isso, o game não aceitava mais comandos e só podia ser fechado reiniciando o computador. Depois de pensar um pouco, Michael descobriu que os números que apareceram ao fim do game eram na verdade coordenadas de latitude e longitude.

Incrivelmente para sua “sorte” – e com uma boa dose de pesquisa – ele descobriu que as coordenadas apontavam para um ponto na floresta do Lesse Volcanic Park, localizado perto de onde ele morava. Então Michael, como realmente tinha muito tempo livre, decidiu ir por conta própria ao parque e chegar ao final “real” de Pale Luna. Quem sabe ele não encontraria um “prêmio” escondido por lá?

Equipado com um mapa, uma bússola e uma pá, Michael seguiu floresta adentro para procurar a localização que o game apontou. Inicialmente ele se sentiu arrependido de ter trazido a pá consigo, já que ele sequer sabia se encontraria algo, mas durante o percurso ele percebeu que os caminhos que ele seguia pela bússola eram muito parecidos com o que o game seguia, e se animou pela possibilidade de realmente encontrar algo.

Depois de uma boa caminhada, ele chegou ao ponto exato das coordenadas e tropeçou num pedaço de terra elevada no chão. Ele realmente tinha encontrado o “tesouro” de Pale Luna! O jovem começou a cavar com muita animação, com tanta animação que sua reação foi cair para trás horrorizado quando ele finalmente encontrou o “tesouro”: Uma cabeça em processo de decomposição de uma pequena garotinha loira.

Michael, aterrorizado por sua descoberta, avisou a policia sobre a cabeça da garota morta, que investigou o caso. A garota foi identificada como sendo Karen Paulsen, de 11 anos, dada como desaparecida pelo Departamento de Polícia de San Diego havia um ano e meio.

A polícia iniciou investigações para encontrar o programador do game Pale Luna, que se tornou imediatamente o principal suspeito pelo sequestro e assassinato da jovem Karen. A polícia entrou em contato com diversas pessoas que haviam jogado o game, atrás de amigos e conhecidos que pudessem ter notícia de outras cópias trocadas e seus donos.

Mas – fazendo jus ao sinistro Pale Luna – os caminhos seguidos pela polícia não levaram a lugar algum, e o criador do game jamais foi identificado. Colecionadores passaram a caçar cópias originais do game após esse terrível caso, oferecendo enormes quantias em dinheiro em troca deste que passou a ser considerado um game lendário.

O resto do corpo de Karen nunca foi encontrado.

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