Indignação seletiva

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A indignação seletiva (em inglês: selective outraging) é quando a mídia condena certas falas e atitudes apenas quando vêm da corrente política que ela discorda, mas ignora ou censura coisas semelhantes ou até piores advindas da visão política que ela apoia. Um exemplo clássico é a mídia brasileira expor as famosas frases preconceituosas e polêmicas do Bolsonaro mas ignorar frases semelhantes ditas pelo Lula e pelo Ciro Gomes. É um tipo de hipocrisia, censura e talvez até viés de confirmaçãoWikipedia's W.svg.

ExemplosEditar

GuerraEditar

Quando George W. Bush estava no cargo de presidente, manifestantes antiguerra ligados a partidos de esquerda se reuniram em diversas cidades americanas e do mundo por guerras iniciadas pelos americanos no Afeganistão e no Iraque, além criticarem a falta de pressão do Bush contra o primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, na Segunda Intifada (2000 a 2005).

Depois que Barack Obama o sucedeu em 2009, os manifestantes antiguerra desapareceram de repente, mesmo com as guerras iniciadas pelos americanos (como no Afeganistão e no Iraque) estavam a todo vapor.

No entanto, na mesma época que Bush e Obama eram presidentes, os mesmos manifestantes não fizeram protestos semelhantes contra as guerras que ocorriam na África e Ásia.

ImigraçãoEditar

Em janeiro de 2017, quando Donald Trump era criticado por defender restrição à imigração antes da sua posse, Barack Obama aproveitou os últimos dias de seu governo para encerrar a política adotada para refugiados cubanos desde 1961, após o reatamento de relações com Cuba da Família Castro. Ao contrário do então presidente eleito, não houve críticas semelhantes contra Obama (e Trump deve ter curtido a decisão de Obama).

Após a posse, Trump baixou uma ordem executiva que proibia a entrada de cidadãos de sete países com histórico de terrorismo. A imprensa e os ativistas pró-imigração (descontrolados?) se indignaram com isso e a decisão foi parar nos tribunais. Trump chegou a recuar em alguns casos específicos e diminuir o rigor da ordem para seis países.

No entanto, trumpistas desenterraram notícias de 2013 mostrando que Obama havia feito a mesma coisa com o Iraque na metade do ano e na época não teve tanta indignação assim.

União EuropeiaEditar

Apesar da União Europeia (UE) ter adotado uma posição dura contra certos países (como Polônia, Hungria e Itália) por se recusarem a aceitar refugiados no auge da crise dos refugiados (entre 2015 e 2017) e contra o Reino Unido por ter optado por deixar a organização, a UE não fez posição semelhante contra a Alemanha por violar a maioria das regras em 2018.[2]

Política no BrasilEditar

Jair Bolsonaro foi criticado por anos pelas suas frases homofóbicas polêmicas, como dizer que bateria em um casal gay que visse na rua, que seria incapaz de amar um filho homossexual e também por sua admiração à ditadura militar, entre outras coisas. No entanto, a mesma mídia e a Esquerda não parecem dar uma singela foda para o fato do Lula durante a sua vida já ter feito vários comentários igualmente ofensivos, como admirar Hitler, dizer que "feminismo é coisa de gente que não tem o que fazer", dizer que "o homem tem que ser submisso à mulher", que Pelotas é uma cidade "exportadora de viados" e falar das "feministas do grelo duro". Ciro Gomes , outro político de esquerda, também já chamou o negro Fernando Holiday de "capitãozinho do mato", além de dizer que "receberia a turma do Sérgio Moro na bala" e que sua mulher servia só pra transar, o que, novamente, é amplamente ignorado pela esquerda.

HomofobiaEditar

  Veja mais do mesmo em Homofobia

No BrasilEditar

No Brasil, se alguém fizer qualquer comentário que possa até mesmo parecer homofobia, mesmo dizer coisas óbvias,[3] a imprensa fascista irá atacar sem piedade o autor da frase. Exceto quando o autor for esquerdista.

Em CubaEditar

Em 11 de maio de 2019, aconteceu uma manifestação LGBT em Havana (capital de Cuba) motivada pelo cancelamento do financiamento público das paradas LGBT após o governo cubano alegar que não poderia financiá-las por conta dos Estados Unidos terem aumentado os embargos, causando uma escassez de produtos básicos. Como o governo não financiou o desfile, manifestantes foram às ruas e em menos de três horas, a polícia cubana interrompeu a manifestação e três pessoas foram presas. A parada foi divulgada pela mídia estatal cubana e repercutida pelo mundo, mas a grande mídia internacional que apoia causas progressistas ignorou o fato, assim como os esquerdistas internacionais.[4] Quando algo semelhante acontece em um país não esquerdista, a reação é da mídia outra, como foi o caso da Rússia, que proibiu paradas e casamentos gays (e, ironicamente, é aliada a Cuba).

RacismoEditar

No BrasilEditar

Antes do governo petista (2003), todas as organizações em defesa ao movimento negro e contra qualquer forma de racismo não eram envolvidas politicamente e defendiam qualquer forma de racismo. Depois do governo petista do Lula e Dilma Rousseff, as organizações em defesa ao negro mudaram a forma de defender os negros graças a infiltração política da esquerda ao movimento negro.

O maior exemplo disso é a recusa de defender o jornalista Heraldo Pereira e o então juiz Joaquim Barbosa nos casos de racismo em 2012, o que fez com que o movimento negro perdesse totalmente o apoio dos direitistas que o acusam o movimento de massa de manobra política e serem racistas.

Em CubaEditar

Diversos desertores do governo de Cuba e refugiados cubanos no Brasil e nos Estados Unidos garantem que o racismo em Cuba é mais alto do que nos países em que escolheram viverem. No entanto, Brasil e os Estados Unidos são alvos de denúncias internacionais por conta do racismo.

Apesar das alegações dos refugiados, a imprensa que se diz ser contra a esquerda, o comunismo e a Família Castro, nunca publicaram essas denúncias dos refugiados cubanos.

Anti-aborto, guerra e saúdeEditar

 
"O inferno das mulheres prevalece"

Os americanos antiaborto, que se anunciam como pró-vida (uma loaded word), são criticados pelos americanos pró-aborto por serem ambivalentes ou favoráveis à guerra e ignorantes à saúde. Na internet, os antiaborto experimentam mais dissonância, com qualquer membro do alt-right sendo contra o aborto e por genocídio simultaneamente.

Aborto e VidaEditar

Os opositores ao aborto que se anunciam como pró-vida criticam os pró-aborto, por serem ambivalentes ou favoráveis por defenderam aborto em qualquer nos casos e ao mesmo tempo defende criminosos que matam pessoas.

Síndrome da Mulher Branca Desaparecida  InversaEditar

Sempre que uma pessoa branca (geralmente uma mulher europeia) é morta por alguém que não é branco, ela falha em receber a mesma atenção da mídia que uma vítima não-branca. Isso é citado como um exemplo de viés antibranco de mídia.

Mas há exceções: o caso Mércia Nakashima (uma nipo-brasileira) assassinada por Mizael Bispo (um afro-brasileiro) no ano de 2010 em São Paulo.

Morte de negrosEditar

Sempre que um negro morre, a imprensa e os movimentos dos negros fazem o maior estardalhaço e grupos como Black Lives Matter dizem que existe um genocídio contra os negros e geralmente falando mal dos brancos racistas e outras frases de efeito. Exceto quando o negro é morto por outros negros, quando o negro é alguém ligado à direita ou um policial negro.

Mas há exceções: o caso do genocídio em Ruanda , em que as tribos hutus e tutsis massacraram uns aos outros por três meses em 1994, depois que os presidentes de Ruanda e Burundi morreram num acidente de avião suspeito, o número de mortes chegou a 1 milhão e só parou quando a guerrilha que lutava contra o governo há anos conquistou o país e deu fim aos massacres. O genocídio entre os negros chocou o mundo e foi parar no Tribunal Internacional com centenas de condenações nos anos seguintes.

CrimesEditar

A direita é a favor da punições mais rigorosas a criminosos diante de casos chocantes, maior atuação da polícia, entre outras pautas. Já a esquerda é contra, defendendo punições menos rigorosas para criminosos sob a alegação de que eles merecem um "tratamento humanitário" pois muitas vezes não tinham escolha senão o crime. Eles também relativizam os crimes praticados por eles mesmos e defendem o fim do armamento da polícia ("desmilitarização" pra eles) e a libertação de certos presos. É o famoso "vítimas da sociedade".

Isso não é visto quando acontece algum crime contra algum ativista ou político de esquerda. Nesse caso, a defesa de criminosos desaparece completamente e a devida punição e a prisão dos responsáveis é exigida por eles. Um exemplo clássico é o caso da Marielle Franco. Na visão esquerdista, quem comete crimes comuns, como assaltos, provavelmente cresceu numa periferia ou algum ambiente propício, mas quem matou a Marielle Franco era apenas um adversário político, o que seriam casos bem diferentes.

Incêndios florestaisEditar

Em anos recentes, grupos de ONGs e pessoas (políticos e celebridades) passaram a criticar abertamente os incêndios na Floresta Amazônica no Brasil, geralmente ligando os incêndios de alguma forma ao governo de Bolsonaro. No entanto, não são vistas as mesmas críticas quando ocorrem incêndios florestais na Califórnia (Estados Unidos), Europa, Austrália, Congo (nome da floresta que fica na África Equatorial), Sudeste Asiático e Indonésia.

Direitos dos animaisEditar

Muitos esquerdistas se dizem vegetarianos com a alegação de que comer carne é crueldade com os animais. Mas são eles mesmos que usam roupas caríssimas feitas pela tortura de animais.

Estados UnidosEditar

Esquerdistas se dizem contra tudo o que é importado dos Estados Unidos com a alegação de que temos que defender o que tem no nosso país. No entanto, isso não é visto quando importam expressões em inglês ou causas sociais (exemplo: Black Lives Matter).

Globalização e globalismoEditar

No final dos anos 90, sindicatos, progressistas, movimentos sociais e partidos de esquerda dos Estados Unidos e do mundo se reuniram em diversas cidades em protestos contra os líderes mundiais e os ricos (por exemplo, George Soros ), nos quais denunciavam os efeitos negativos da globalização em países pobres. Eles ficaram conhecidos pela grande mídia como "manifestantes contra a globalização".

Após o início dos anos 2000, as manifestações contra os ricos e poderosos e a preocupação com os efeitos negativos da globalização sumiram dos noticiários internacionais. Isso se deve à grande soma de dinheiro concedida pelos ricos aos grupos que antes eram seus alvos. Em troca desses grupos não mencionarem mais seus nomes, eles forneceram apoio às suas causas progressistas (como faz George Soros desde as eleições nos Estados Unidos em 2004 em apoiar candidatos ao Partido Democrata). Esse financiamento começou ao mesmo tempo que ocorria a ascensão dos governos de esquerda, centro (direita ou esquerda) e progressistas. Os ativistas tem lucrado muito desde então.

Em anos recentes, especificamente depois de 2016, a direita vem denunciando a aliança de grupos esquerdistas, progressistas, ricos tais como o Soros e a imprensa, o esquema que mais tarde seria chamado de "globalismo", em que os grupos mencionados se aliaram para desestabilizarem candidaturas e os governos da direita verdadeira, que não são apreciados pela grande mídia.

AssédioEditar

Nos Estados UnidosEditar

Quando se trata de assédio, a mídia americana e os democratas são acusados pelo público americano de usarem o termo "apalpar" quando a figura em questão é liberal (de esquerda) ou do Partido Democrata, enquanto usam os termos "agressão" ou "assediador" quando a figura é de direita ou do Partido Republicano. Está é uma forma de relativizar termos como "assédio sexual", "assédio moral" e "estupro" (ou "violação)".

O maior exemplo é quando a mídia menciona os escândalos sexuais. Quando se trata de democratas, as menções negativas sobre eles são reduzidas para não prejudicar o partido; já quando se trata de republicanos, as menções tem uma carga negativa e crítica muito maior.

O escândalo Harvey Weinstein e seu efeito entre 2017 a 2018 mostrou que 80% dos assediadores (ou "apalpadores") de mulheres e até homens tinham alguma ligação com o Partido Democrata e a esquerda.

No BrasilEditar

 
Rede Globo passando pano para Marcius Melhem.

Em 2017, quando José Mayer  foi acusado de assediar sexualmente uma funcionária na Rede Globo, a emissora promoveu a famosa campanha "Mexeu com uma mexeu com todas" e vários noticiários sobre o caso, o que acabou levando o ator a ser demitido e cair em desgraça.

Já em 2020, quando Marcius Melhem  foi acusado de assediar sexualmente e moralmente dezenas de funcionárias na Rede Globo (entre elas atrizes famosas), a tal famosa campanha dentro da não foi usada e nem teve noticiários na emissora, apesar dele também ter sido demitido e caído em desgraça.

Os casos de assédio na emissora são explorados pela direita para mostrar a existência da indignação seletiva de supostos apoiadores das vítimas de assédio, além do silêncio da emissora e a esquerda no caso.

EleiçõesEditar

Em 2016, a grande mídia e políticos de diversos partidos (tanto da direita e a esquerda) no mundo apoiaram a candidata Hillary Clinton contra Donald Trump para ser nova presidente dos Estados Unidos. No Brasil teve caso curioso: a mídia que contribuíram pela queda da Dilma Rousseff naquele ano queriam que Hillary Clinton fosse eleita. No entanto, este apoio da mídia brasileira supostamente direita à candidata irritou direitistas brasileiros (apoiadores de Donald Trump) que espertamente associaram a candidata como a "Dilma Rousseff americana" (exemplo do apoio à candidata os seguintes grupos: Estado, Folha, Abril e Globo).

Em 2017, a mesma grande mídia e políticos de diversos partidos (tanto da direita e a esquerda) no mundo apoiaram o candidato Emmanuel Macron (pró-UE e globalista) contra a Marine Le Pen (anti-UE e anti-globalista; pró-nacionalista e pró-patriota) para ser o novo presidente da França. A mídia no Brasil não foi diferente: queriam que Macron fosse eleito, inclusive até o apoio da mídia supostamente de direita por ser incômoda pra seus interesses. Isso causou nova irritação dos direitistas brasileiros que consideraram absurdo serem criticados por recusarem a apoiar Hillary Clinton por serem machistas no ano anterior. Os direitistas criticam as incoerências das feministas, da grande mídia e os políticos de diversos partidos por atacarem a candidata francesa com mensagens machistas só porque ela pertence ao partido Frente Nacional que já ameaçou chegar ao poder em diversas eleições recentes.

Abuso sexualEditar

Desde início dos anos 2000, a imprensa internacional tem denunciado os casos de abuso e exploração sexual nas igrejas, escolas, residências e outros lugares do mundo. O modus operanti da imprensa é desgastar líderes religiosos e os heterosexuais. Excerto se for casal do mesmo sexo (exemplo: Caso Mark J. Newton e Peter Truong).

CríticaEditar

Embora ser inconsistente com o mesmo tópico seja desonesto e indesejável, também é errado esperar que todo princípio moral seja transitivo para todos os outros assuntos. Um marxista pode abster-se de focar em coisas como os direitos dos transexuais, que afetam um grupo de pessoas politicamente insignificantes, para se concentrar nos direitos e benefícios da classe trabalhadora (sindicatos e saúde). Isso não significa que o marxista seja necessariamente contra os direitos dos transexuais, apenas que ele quer concentrar seus esforços em uma única questão.

Links externosEditar

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