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Anarcocapitalismo

(Redirecionado de ANCAP)
O anarcocapitalismo é associado à combinação das cores amarela e preta, bem como à simbologia de armas de fogo.
Típico libertário conservador de quarto: hoppeano, católico, "casto", antifeminista, antiLGBT, amante do Pinochet, de bitcoins e de lolis.

Anarcocapitalismo é uma forma de autismo ideologia política e econômica que se tem destacado bastante na internet nos últimos anos. Basicamente, o que os anarcocapitalistas defendem é que não haja um Estado (ou seja, nenhum tipo de governo) e que todos os serviços que seriam prestados por um governo sejam fornecidos pelo capitalismo (ou "livre mercado", como é mais bonitinho de falar). Para os anarcocapitalistas (ou ancaps), a base da sociedade não é o Estado, mas sim a propriedade privada. O anarcocapitalismo é uma ramificação (e não um sinônimo, como alguns imbecis pensam) do libertarianismo.

O movimento ancap não tem presença quase nenhuma irl e se resume a falhos expressando suas convicções pessoais na internet, seja através de vídeos, posts no Cancrobook, e de vez em quando alguns sites fuleiros (como o foda-seoestado.com). Nunca houve nenhum esforço para se atingir o anarcocapitalismo na prática, e eles costumam cancelar outros ancaps que discordam minimamente deles, fracionando ainda mais um movimento que já é pequeno. Pela sua forçação, anarcocapitalistas conquistaram a fama de autistas, filhinhos de papai e admiradores de traps, sendo ridicularizados da mesma forma que seus arqui-inimigos, os comunistas.

Índice

Funcionamento

 
Se você não sabe o que é isto, você não entende porra nenhuma de anarcocapitalismo.

Numa hipotética sociedade anarcocapitalista, tudo é privatizado. Ou seja, tudo que hoje é feito por entidades federais, estaduais ou municipais, como estradas (muh roads!), transporte coletivo, energia elétrica, encanamento etc. seria feito por diversas empresas privadas competindo entre si. Não haveria imposto e você só pagaria por esses serviços se você quisesse ou precisasse deles (mas é claro que você iria precisar, porra!) Sem as regulações econômicas impostas pelo governo, essas empresas operariam livremente. Mas aí você se pergunta: "e quanto às leis e a justiça? Sem leis, todos poderão fazer o que quiser?". Por incrível que pareça, o que nós chamamos de poder legislativo e judiciário também seriam serviços privatizados no anarcocapitalismo. Haveria um sistema de "leis privadas" (cada propriedade privada teria suas próprias leis) e "justiça privada" (se alguém infringir uma lei privada, uma empresa de "arbitragem" será acionada para julgar o caso). "Mas e a polícia? Também será privatizada?" - Depende; lembre que, sem um Estado, você é livre para portar armas e se defender por si próprio, mas você também poderá contratar as chamadas "agências de segurança privadas".

O argumento principal dos ancaps para defender essas coisas é que o mercado é sempre mais eficiente que o Estado em tudo, o que se pode observar, por exemplo, em índices de liberdade econômica. Mas eles esquecem que não existe nenhum exemplo atual ou histórico de sociedade completamente livre de interferência estatal, sendo todos os exemplos de mercado conhecidos num contexto estatal, ou seja, isso é um argumento pró-liberal e não pró-ancap. O mercado está em todos os lugares, mas, da mesma forma, regulações e intervenções do Estado estão por trás de tudo que vêm do mercado.

Divisões

 
Comparação feita por um esquerdista entre libertários ancaps e esquerdistas

Os anarcocapitalistas (os brasileiros, pelo menos, já que os termos utilizados em inglês são bem diferentes) se subdividem principalmente em dois grupos:

  • Jusnaturalistas - Aqueles que são contra o Estado por acreditarem que este é uma violação de um suposto direito natural baseado na propriedade privada. O princípio de não violar este direito se chama princípio da não agressão (PNA, ou "porra no ânus"). Daí que vem a famosa frase ancap: imposto é roubo!. Para eles, políticos e funcionários públicos não são nada diferente de ladrões. Ou seja, se você esfaquear um varredor de rua que trabalha pro Estado, você não está violando o PNA, mas se você for salvar um animalzinho sendo torturado dentro de uma casa, você está (já que animais não possuem direito à autopropriedade). Muito ético!
  • Utilitaristas - Aqueles que são contra o Estado apenas por o acharem ineficiente e serem mais favoráveis ao mercado. Em vez de passar o tempo discutindo sobre o que o viola ou não viola o PNA (como os jusnaturalistas fazem), eles estão mais preocupados em mostrar por que o mercado é melhor e leva a uma sociedade mais avançada e próspera. Se levado ao extremo, também leva a situações absurdas, como, por exemplo, cercear liberdades básicas se o resultado trazer consequências majoritariamente positivas.

História

 
O anarcocapitalismo ainda não foi aplicado na prática (e talvez nunca seja)

Lá nó seculo XVIII, vários intelectuais começam a defender uma sociedade onde não há autoridade, ou, pelo menos, onde a autoridade é severamente reduzida. Ou seja, onde não haveria reis, governantes, ditadores ou chefes. Esse movimento passa a ser conhecido como anarquismo. No entanto, o anarquismo estava aliado a movimentos de esquerda como socialismo e comunismo – Karl Marx, por exemplo, aludia a princípios anarquistas (ao dizer que não há Estado no comunismo final), e a maioria dos anarquistas eram pró-comunistas. Ao mesmo tempo, surgia um outro movimento conhecido como liberalismo clássico, baseado nas ideias de Adam Smith. Ao contrário dos esquerdistas, os liberais clássicos eram contra a intervenção estatal na economia e defendiam que o livre mercado (capitalismo) beneficiava as pessoas. Uma das ramificações do liberalismo clássico, fundada por Carl Menger, ficou conhecida como Escola Austríaca. Eles defendiam o liberalismo de forma mais radical. Um dos austríacos mais famosos foi Ludwig von Mises.

Nos anos 40, um economista americano da Escola Austríaca chamado Murray Rothbard resolveu combinar elementos do liberalismo com os do anarquismo (que até então eram considerados opostos) e cria o que ele chama de anarcocapitalismo. Ele escreve um livro chamado "Manifesto Libertário", em oposição ao "Manifesto Comunista". Ao longo do século XX, ele divulga o movimento e vários economistas desde então se baseiam no trabalho dele, como Hans-Hermann Hoppe. O movimento libertário/ancap conquista um pequeno espaço nos EUA e no mundo.

O verdadeiro crescimento do movimento começa com a internet, no século XXI. No Brasil, grupos do Orkut já discutiam sobre o tema, mas ele começou a ficar famoso com o vlogueiro Dâniel Fraga, logo se expandindo para o YouTube e Facebook. Hoje, o anarcocapitalismo está cada vez mais conhecido, com vlogueiros como Rafael Hide (do canal Ideias Radicais).

Principais expositores

 
Kogos com seus principais livros de economia.

Alguns dos mais conhecidos expositores do anarcocapitalismo na internet brasileira:

  • Dâniel Fraga - Um nerd gordo viciado em maçã famoso por defender a posição desde 2012. Foi o primeiro ancap brasileiro conhecido, e foi bastante influente no movimento entre 2012 e 2014, chegando a se envolver em diversos "problemas" com o Estado. Também é conhecido por ser ateu convicto e achar religião uma besteira.
  • Paulo Kogos - Um autista gordo sustentado pela mãe rica. É amplamente conhecido por seus chiliques de retardado autista e por querer andar de tanque (ele disse isso querendo criticar as ciclovias, já que é contra o desenvolvimento sustentável). Diferente do Dâniel, no entanto, ele é conservador e religioso ferrenho e radicalmente contra o aborto.
  • Pedro Henrique Marques (PH) - Um utilitarista mineiro careca que promoveu muitos debates ancaps entre 2014 e 2015 e sumiu da Internet por vários anos até voltar em 2020, mas com muito menos popularidade.
  • Raphaël Lima - Um vlogger do VocêTubo cujo canal se chama Ideias Radicais. Foi condenado pela comunidade ancap por ter apoiado o PSL (partido político supostamente liberal), mas continua sendo o mais ativo ancap da atualidade.
  • Alexandre Porto - Autoproclamado filósofo conservador e transumanista (totalmente coerente!).
  • Ártemis Mitz

Ver também